COSTELÃO DE NOVILHA

COSTELÃO DE NOVILHA
A PROVA DE QUE APRENDI A ASSAR...

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Lebres

 Pois os gatilhos da mente, atacam novamente. Um videozinho de uma lebre correndo em uma estradinha, desencadeou sinapses esquecidas e amoitadas na cachola. Pra corroborar a história, trago como testemunha minha sobrinha Ângela Carvalho, que se lembrar, há de assinar embaixo. Nos tempos áureos de jovem(chóvem no dizer de uma amiga paulista) tive uma namorada cujo pai era um cinegético ou venatório. Pros não entendidos, traduzo: Caçador. Eram tempos em que a caça era permitido. Isto posto fomos toda a família para uma caçada. O pai e um sobrinho eram exímios caçadores. Caça vai, caça vem, cota de perdiz alcançada pelos dois, o pai resolve que eu iria caçar. Declinei do covite dizendo-me sem prática de tiro em movimento. Insistiram e armado com um 20 espanhola cabo prateado, cano montado, e com o cão que me escapa o nome, fui em frente pro sacrifício de pagar micos. Chamei o cão que logo rastreou e amarrou uma perdiz, No meu comando atacou e ela levantou voo. Levantei a arma, mirei e disparei e a ave continuou impávida o seu voo. O cão virou pra mim e olhou. Veio primeiro conselho: "a arma tem dois canos" e a gozação: "e dois cartuchos". Nova tentativa e novo fracasso com dois tiros. Novamente o cão me encarou. Novos ensinamentos. Mais risinhos. Na terceira tentativa com o respectivo fracasso, foi com uma lebre. "A lebre cuspiu nos teus chumbos". O cão foi mais gozador ainda. Olhou pra mim, balançou a cabeça batendo as orelhas e foi deitar nos pés do dono. Risada geral. Bem, voltando às lebres eles caçaram duas. E me deram.

Em casa, pendurei-as pelas patas trazeiras e coreei-as. Mas, ao puxar suas peles me deparei com corpinhos de bebes. Foi essa a impressão.
Temperei-as no capricho. Assei-as no forno do fogão à lenha. Minha mãe, minha irmã Leila e a sobrinha Ângela Carvalho, minha fiel testemunha, devoraram e gostaram. Eu não consegui, a carne crescia como chiclete na boca.
Todas as reações:
Lucia Berenice Da Silva, Leda Costa Martins e 1 outra pessoa
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quarta-feira, 26 de junho de 2024

Exéquias de meu pai.

 Ah os gatilhos da memória. Quando meu pai faleceu, meu cusco não saia debaixo do seu caixão. Quizeram tirá-lo, não deixei. Meu pai o comandava por gestos. Quando chegava do serviço, apontava para o teto da sua casinha e ele obediente, subia. Calmamente o acariciava e o desprendia da corrente. O Dick (esse era o nome que coloquei no meu cachorro) primeiro o festejava, saltitando em sua volta e depoi saia em disparada pela rua ou pátio, o que lhe desse na telha.

Quando achava que já era hora de o prender novamente, assobiava e ele obedientemente o atendia e já sabia: subir no teto da casinha. O que meu pai ensinou para ele era uma maneira em que não precisava se agachar por estar já comprometido com sua doença.
Lembrando agora do falecimento do meu velho, me dou conta que eu era muito prático para as coisas. Primeiro resolvê-las, depois digerí-las em forma de sentimentos. No início da semana em que ele morreu, já sabia, por participar e acompanhar a evolução de sua doença, que daquela semana não passaria. Isso foi um escudo meu. Buscava seus remédios, estava sempre lhe acompanhando, e quando minha mãe se deu conta que ele estava nos deixando, me chamou para que trouxesse o doutor que tratava dele. Fui atrás de meu Cunhado que nos auxiliava nesse affair em sua casa, como não estava, fui ao cinema, interrompi a sessão até que o achei. Voltamos com o médico mas nada mais podíamos fazer.
Não chorei. Auxiliava minha mãe no que ela pedia. No dia seguinte o enterro. Para sair da casa (os velórios naqueles tempos eram conduzidos em casa) alguém sugeriu passássemos o caixão pela janela já que a largura do caixão era maior que a porta. Meu tio Leopoldo Steinhauss saltou e disse: - Não mesmo, o meu cunhado Bento vai sair pela porta da frente. Dito isso, busquei as ferramentas necessárias para que ele despregasse uma das tábuas para permitir a passagem.
Passado seu funeral, já à tardinha, minha mãe pediu que fosse à farmácia para lhe trazer um remédio. Na volta, quando entrei pela porta da frente, que abri de sopetão, encontrei um dos meus professores com uma turma de colegas do CEAP. Aí que o sentimentãl aflorou e chorei copiosamente! Havia realmente notado que ninguém dos colegas tinha vindo para exéquias.
Pode ser uma imagem de animal e texto

sexta-feira, 21 de junho de 2024

No rancho fundo.

 Pois não é que essa história do gatilho que traz lembranças, me pegou de jeito. A mulher assiste a novela do Rancho Fundo e eu dou pitacos e umas bispadas de quando em vez.

Acontece que a música existe desde 1931 e foi gravada e regravada por muitos cantores e cantoras. Foi vendida em 1989 como de Chitãozinho e Chororó pelo sistema fonográfico. Música linda, fez sucesso.

Mas como todo velho que se propõe a contar seus causos, tenho um bem interessante.

Num velho rádio de válvulas, que eu desmontava pra limpar, meu pai e minha mãe ouviam a rádio Tupi noite adentro. Era de cabeceira, não saía dali pra nada. Em torno dele ouvíamos as transmissões futebolísticas e era o nosso contato com o universo brasileiro. Claro que essa música fazia parte do que ouvíamos. Corria a década de 1950 e ela ficou gravada na memória.

O tempo passou, minha mãe enviuvou mudei para Porto Alegre, casei, tive filhas, divorciei e estava morando sozinho quando em uma noite chegando de um plantão da firma em que trabalhava, tranquei a porta do edifício de 3 andares e maldice quem deixou destrancada e me recolhi.

Na madrugada, um barulho na porta me despertou. Morava no 1º andar e ouvia tudo que se passava na porta. Nesse dia as duas filhas estavam comigo e dormiam no quarto e eu na sala. Então ficou mais fácil de ouvir. Batidas na porta e abri logo. Era meu sobrinho. Não tive dúvidas. -É a mãe? -Sim. Me respondeu. Nesse momento uma música começou a tocar na minha cachola.

Na ida para Ijuí, passei no centro de Porto Alegre para dar carona ao meu irmão e seguimos viajem. 

Mais ou menos perto de Lageado, pra passar o sono, comecei a assobiar no rancho fundo. Meu irmão segurou com força o meu braço e perguntou: - Você está com essa música na cabeça?

 -Desde que soube!Lhe respondi. Só não posso dar ele como testemunha, pois já é falecido.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

O pessegueiro do Tio Déi

 Dando asas aos gatilhos provocativos que rebuscam nossas almas, "Entrou por uma porta saiu por outra, quem quizer que conte outra", lembrei do incêndio que provocamos em casa mas que não se concretizou graças aos malabarismos que praticávamos subindo no pessegueiro do galpão!

Noutra postagem me desnudei e contei que o pessegueiro que tinha pertinho do galpão que tinha um galho que subia por cima do mesmo, era minha rota de fuga dos tempos trovejosos e de varadas da mãe! Pois nessa o pessegueiro foi minha rota para apagar um princípio de incêndio inicado por mim e pela minha mana mais nova.

Minha mãe estava adoentada e quem estava tomando conta de fazer fogo, cozinhar e ajudar nos serviços da casa, era minha mana mais nova e eu (botei o burro despois). Pois uma tarde ou manhã (sei o milagre, mas não quando aconteceu) tinhamos que fazer o fogo no fogão à lenha. Não tínhamos fogão à gaz. Acontece que sempre fui previnido e por causa disso havia feito uma caixinha de gravetos lascados de lenha para iniciar o fogo. Como era o mais velho, iniciei o fogo e falei pra mana que cuidasse do fogo que iria fazer não sei o que. Acontece que o cano do fogão passava pelo forro de madeira e estava carcomido pela ferrugem bem na altura das tábuas de que era feito. Isso normalmente não teria problema pois as labaredas normalmente não atingiriam esssa altura - mais ou menos de 2,4 metros. Mas porém, todavia, contudo, entretanto, a maninha tinha colocado praticamente todos os gravetos, um a um na fornalha do fogão criando labaredas. Para completar a fotografia, tinha aberto o suspiro e as labaredas subiram livres leves e soltas cano acima. Voltando ao cenário, senti cheiro de tinta queimando e levantei os olhos e vi o que estava se formando. Não sei o que me levou a ter sangue frio e apagar o fogo no fogão primeiro, enchi um lata de azeite que servia de copo/vasilha com água e corri para o pessegueiro. Subi no telhado e corri até o canto em que dava no telhado da casa, passei para ele, afastei as telhas de barro e despejei toda ao redor do cano. Incontinenti voltei ao pessegueiro onde a minha mana estava esperando para buscar outro copo d'água e assim conseguimos apagar o fogo. Consertei o telhado. Quando desci, minha mãe havia levantado e tomou conta da situação. 

As nossas artes nos deram a agilidade para contornarmos a situação. Ufa!