COSTELÃO DE NOVILHA

COSTELÃO DE NOVILHA
A PROVA DE QUE APRENDI A ASSAR...

domingo, 2 de janeiro de 2022

O Agro é Tech? O Tech é Pop?

 No agro seu feisse. No agro, nisso que estou pensando. Hoje, depois de muitos anos, vi reportagens do Globo Rural. Sobre o agro. Duas reportagens que trazem duas situações diferentes. Antes disso, quem sou eu pra falar sobre o agro? Não entendo nada da cultura do Soja. Quando recém estavam implantando as lavouras dessa oleaginosas eu já tinha saído da Escola Rural em que fazia o curso de Técnico Agrícola. Conheço a cultura do milho e do trigo. Conheço as culturas das olericulas. Conheço práticas alternativas para potencializar com práticas orgânicas, os solos. Sei fazer solos pobres tornarem-se ricos. Fui um dos primeiros criadores de minhoca vermelha da califórnia no RS. Me interesso por técnicas que são trazidas pelas instituições de desenvolvimento agropecuário como um todo. Então não é só o conhecimento de como plantar, adubar, colher. Em que isto está inserido? Qual é a preocupação com meio ambiente? Quais recursos que posso tirar dele, sem agredi-lo? Que posso fazer para potencializar esses recursos e melhorar a meu favor? Que técnicas posso usar para não depender dos humores do clima? Em uma palestra que dei na Escola Técnica de Agricultura em Viamão - RS, provoquei um auê entre os professores da área da Bovinocultura com a afirmação de que cuidava melhor do meu gramado(que somente me dava prazer, sem nenhum retorno econômico) do que os pecuaristas da região com solo sobejamente pobre. Questionado sobre como poderia fazer frente ao problema, coloquei que abandonar a pecuária extensiva pura e aos poucos implantar piquetes para fazer rodízio com a gramínea utilizada na região. Investimento em cercas, água, e uma passagem de roçadeira por dia no piquete que foi utilizado. Isso daria uma terminação de 10 vezes mais por hectare. Mas por que não investem? É mais fácil deixar o gado em uma lotação de um boi por 1,5 hectares, tomando água no banhado e pastando pastagem ruim e levando 2 anos para terminar. Não precisa manejo a não ser aquele obrigatórios como a vacinação. Normalmente fica muito mais difícil esse manejo pois o gado não está acostumado (xucro).

Isso posto, cartão de visita apresentado, voltamos ao assunto GR.
A primeira era sobre a irrigação de lavouras de soja. Com técnicas de ponta (energia solar, mini estação meteorológica, sistema de TI integrado dos dois anteriores para melhor utilização dos recursos hídrico e energia elétrica.
A segunda, sobre a seca no sul, área grande produtora de soja e milho. Sem tecnologias. Quebra nas safras.
Trago uma outra reportagem para evidenciar o grau de profissionalismo em quem realmente quer se dar bem na Agricultura (não a pop): em uma fazenda produtora de leite: proteção das bezerras para que não passem frio, chuveiros para vacas lactantes para minorar o calor, ventiladores, bolas coloridas para elas brincarem, cama espessa confortável (depois vão para adubo das pastagens e plantações) e tchan, tchan, tchan: Soutien Para as Holandesas com úberes enormes.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Quando um agradecimento se faz necessário

 Hoje estou magnânimo. Quero fazer agradecimentos. Sinceros pois me vem do recôndito de minha alma. Podem ter pinceladas de mau humor, cacos de cinismo, restos de arrogância. Podem vir marcados por vírgulas de hipocrisia, exclamações de mordacidade, parênteses de sarcasmo mas finalizando com pontos de verdade.

Creio que esta situação foi criada pela proximidade do Natal. Este Natal tão festejado pelos ditos cristãos, puristas, que reverberam ser a festa do Senhor e não a festa do Deus Mercado. Este Natal tão festejado pelo Deus Mercado que reverberam ser a festa dele e não do Senhor seu Deus. Se houvesse apenas um tiquinho de bom senso de parte a parte, teríamos a paz do Natal mostrado ao mundo pelos americanos que endeusam tanto o Senhor como o Mercado numa sutileza de dar inveja.
Mas vamos começar quero agradecer primeiramente a todos os que com seus atos nas urnas me trouxeram situações que remetem a anos de vacas magras (olha a Bíblia novamente) por que passei. Não necessariamente o voto em si mas englobando os covardes que negaram sua presença perante às urnas, os que foram mas diante de uma dúvida cruel de quem seria melhor, um pulha e um professor, anulou o voto. Pra completar esse primeiro agradecimento, quero lembrar parentes, amigos de todos os níveis de cultura/conhecimento/entendimento que votaram nessa besta e isto de uma forma ou outra, me afetou de todas as formas econômicas possíveis. Devo a vocês todas as minhas dificuldades por que estou passando. Não é pedido de ajuda. É agradecimento e reconhecimento do trabalho de vocês pois de todas as formas a ação foi vitoriosa. Sei que tem um pouco de egoísmo de minha parte achar que o seu procedimento visava somente a minha pessoa e não um espectro mais amplo. Talvez a mira estivesse assentada em uma pessoa, um partido ou o País como um todo mas o tiro atingiu-me em cheio, na mosca do alvo que carrego no peito pelas minhas posições frente à vida e todas as relações, que por humano, carrego.
Segundamente, agradeço e parabenizo todas as instituições que sobejamente participaram na implantação do CAOS neste meu país. Sobrou eficácia e eficiência. Souberam extrair o mais puro pus de seres putrefatos que nem humanos são. Ao extrair, torceram e retorceram para que a última gota de fel contra a humanidade fosse extraída, exaurida e espalhada. Hoje temos com orgulho polícia/militares que se voltam contra patriotas malfeitores ou não se alvorando de algozes cívicos do lema "bandido Bom é bandido Morto", mas o dos outros, os meus não. Os meus estão protegidos pelas instituições que manejo a bel prazer. Dou-me conta da pequenez que meu ser é. Sem proteção mínima do estado frente os desmandos, comandados, da justiça. Sei que se, pessoa física, pedir insolvência, serei moído pelo status quo bem diferente de quando um ente empresarial solicita, de modo fraudulento, sua insolvência . Então, o que se espera de excelência em ações, os agentes públicos se superaram. Enfim, o que há de melhor em malvadeza, está colocado. Agradeço o empenho de todos os envolvidos.
E agora uma pensata que coloquei em um momento da vida sobre o voto: https://blogdobentinhodeitaara.blogspot.com/2014/09/voce-ja-vendeu-seu-voto-hoje.
Esses que venderam. por qualquer motivo o voto pra esse arremedo de pessoa, receberam mercadoria putrefata para o país e toda a humanidade.

sexta-feira, 12 de março de 2021

Até as pedras (seres inanimados sem vontade) SABIAM

 Até as pedras sabiam e mesmo assim aconteceu por pensamentos mágicos que relegam ao limbo ciências, história, conhecimentos, declarações...

Até as pedras sabiam o que havia por trás da perseguição da mídia a um projeto de país que incluia todos no desenvolvimento.

Até as pedras sabiam que o que a mídia alardeava sobre a economia do período petista, era forjado, fictício, tendencioso e tinha um fulcro que embasava o golpe.

Até as pedras sabiam que uma presidente honesta, não poderia ser derrotada por erro seu.

Até as pedras sabiam que precisavam compor mentiras para tirar uma presidenta que não se rendeu às falcatruas do corrupto legislativo e judiciário.

Até as pedras sabiam  que "pelos isso pelas aquilo" usados como justificativas escondiam o valor da compra dos votos.

Até as pedras sabiam que o que viria com a "Ponte para o futuro" nos faria retroceder econômica, socialmente e como País ao século anterior ao presidencialismo. Com servidão de trabalhadores, sem direitos duramente conquistados, com condições de saúde que beiram ao século da Peste negra.

Até as pedras sabiam que o que se seguiu nas áreas trabalhistas e previdenciárias aviltam os trabalhadores brasileiros levando-os à condição de novos escravos.

Até as pedras sabiam da podridão da lava-jato, suas camangas, suas candongas, suas sujeiras, suas falcatruas para tirar um estadista da disputa da presidência.

Até as pedras sabiam que o candidato e futuro presidente era: inepto de primeiro ao quinto, olhando-se de frente aos fundo e vice versa (invertido), inescrupuloso, problemático quando do seu passado no exército, ineficiente no congresso por longos 30 anos, mentiroso ao extremo, violento ao extremo se valendo de milicias para extinguir desafetos, medroso perdeu arma e moto para um bandido comum.

Até as pedras sabiam que se valeria de conluio com militares do mesmo quilate para arrasar com o país e saquear à vontade cofres e empresas públicas.

Até as pedras sabiam que todos esses "predicados" do "milico bunda-suja" (quem afirmou foi Geisel) nos levaria ao caos na pandemia.

Até as pedras sabiam que os generais subalternos postos em seu governo sob seu tacão perverso, ao serem alinhados com suas ideias, fariam de tudo para não socorrer a população da maneira necessária para prevenir e curar os infectados nessa pandemia?

Até as pedras sabiam que o que aconteceu no Amazonas se espalharia por todo o país e nada foi feito?

Até as pedras sabiam que a falta de leitos ocorreria aqui no resto do Brasil e nenhuma providência foi tomada por administradores de hospitais, secretários de saúde, ministros, prefeitos e governadores numa negação infame.

Até as pedras sabiam que ao iniciar a bandeira preta de forma irreversível faltaria oxigênio e nenhuma providência foi tomada pelos atores que mencionei.

Até as pedras sabiam que a cloroquina e invermectina sobram nas prateleiras quando faltam os MEDICAMENTOS que ajudam aos pacientes suportarem dores, a intubação, o decúbito frontal nas uteís num sofrimento que obriga os atores da linha de frente amarrarem os pacientes para que fiquem, mesmo com dores subjugados ao parcos equipamentos de que dispõe para salva-los.

Até as pedras sabiam que os óbitos ocorreriam num crescendo, para gáudio do segmento econômico funerárias que nunca faturou tanto.

Até as pedras sabiam, até as pedras sabiam...

Eu sabia você não sabia por quê?



terça-feira, 20 de outubro de 2020

Primavera

 Molto caldo in Itaara.

Inda bem que ligaram o ventilador da natureza no modo mais para máxima do que para média.
Eu, humano ápteras,
fico fascinado com os brinquedos dos alados.
Urubus surfando em ondas de vento invisíveis,
andorinhas em formações com mil figuras inventadas,
desfile de asas para o meu deleite.
Ah Primavera, ah Primavera...

sábado, 17 de outubro de 2020

Ao MST com Louvor!


Acompanhei o desfecho da entrega de uma fazenda enorme - Latifundio de 22 000 hectares em Viamão RS - em pagamento de dívidas ao Estado do RS.
A antiga fazenda do Sr. Breno Caldas jr situada em Águas Claras, distrito de Viamão-RS, foi aquinhoada na época da Ditadura, com obras do DNOS para que fosse implantados uma barragem com 8km de taipa, com 30 m de largura e canais de drenagem do banhado que se estendia até o Rio Gravataí.
A conheci nos seus estertores, quando ainda produzia, mas sem o esplendor dos áureos tempos. Campo de pouso de aeronaves pequenas, fileiras de tratores, colheitadeiras, plantadeiras. Com a derrocada, tudo vendido a Leilão que não cobria as dívidas astronômicas que tinha com o Fisco gaúcho. Foi dada em Pagamento. Logo em seguida foi feito o assentamento de famílias do MST. Sugestivamente, foi batizado de Filhos de Sepé.
As dificuldades foram muitas para sua implantação, falta de apoio governamental federal criavam problemas que foram pouco a pouco superados. Críticas na imprensa, a população embalada por elas, cotejavam a produção de "fundo de quintal" com a monocultura do arroz. Na parte seca da fazenda, hoje se produz de hortifruti a milho, soja, criação de gado, galinha e porcos. Na parte úmida de banhado o famoso arroz orgânico, provando que é possível sim produção orgânica em escala. Eles, do assentamento, são os maiores produtores de arroz orgânico da América Latina, numa vitória maiúscula deste Movimento. O MST não acompanhou o movimento de subida absurda do preço dos últimos dia

domingo, 16 de agosto de 2020

O que a história dos "vitoriosos" não conta!





Luis Avelima

Em 16 de agosto de 1869 em Eusebio Ayala (Paraguai) ― no marco da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) ―, os luso-brasileiros degolam 3.500 crianças-soldados entre 9 e 15 anos no massacre de Acosta Ñu. Neste dia se celebre nesse país o Dia da Criança.
Escreveu Júlio José Chiavenatto: “Os meninos de seis a oito anos, no fragor da batalha, apavorados, se agarravam à pernas dos soldados brasileiros, chorando que não os matassem. E eram degolados no ato. Escondidas na selva próxima, as mães observavam o desenrolar da luta. Não poucas pegaram lanças e chegaram a comandar um grupo de meninos na resistência. Finalmente, depois de um dia de luta, os paraguaios foram derrotados. O conde D’Eu, o comandante da guerra, depois da insólita batalha de Acosta Ñu, quando estava terminada, ao cair da tarde, as mães dos meninos paraguaios saíam da selva para resgatar os cadáveres de seus filhos e socorrer os poucos sobreviventes, o conde D’Eu mandou incendiar o mato, matando queimados meninos e mães.
Mandou cerca o hospital de Piribebuy, mantendo em seu interior os pacientes ― em sua maioria jovens e meninos― e o incendiou. O hospital em chamas ficou cercado pela tropa brasileira que, cumprindo as ordens, empurrava a ponta das baionetas dentro das chamas dos enfermos que milagrosamente tentavam sair doa fogueira. Não se conhece na história da América do Sul pelo menos, nenhum crime de guerra mais hediondo que esse!

segunda-feira, 27 de julho de 2020

UBU REI - um texto para minhas netas lerem no futuro

Artigo muito interessante de Marcia Tiburi. Nenhuma teoria de comunicação dá conta do que ocorre no Brasil e no mundo neste momento. É preciso filosofia e crítica literária, com muita densidade, pois nada é simples ou fácil.
A leitura de Marcia Tiburi sobre Bolsonaro parece a melhor até aqui. A mais qualificada, a menos simplificadora e a mais equilibrada.
Aí vai o artigo na íntegra (publicado originalmente na Carta Capital):
Brasil caiu nas mãos do seu torturador
Em 17 de abril de 2016 na votação do farsesco impeachment contra Dilma Rousseff, Bolsonaro se tornou o Ubu rei nacional. Ubu Rei é um personagem de uma peça homônima de Alfred Jarry que data do final do século 19. Nela o personagem principal é um sujeito que quer ser rei para comer muito, matar, enriquecer ilicitamente e fazer todo tipo de maldade e grosseria que estiver ao seu alcance.
O Ubu Rei é um personagem fundamental que nos ajuda a perceber como e por que as figuras mais grotescas fazem muito sucesso na política. Quando a política não se realiza como tragédia, ela se realiza como farsa e a farsa, no sentido do teatro do grotesco que produz efeitos de poder justamente por ser desqualificado e violento, é o que vivemos há um bom tempo no Brasil. Pelo menos desde o golpe de 2016.
Nero e Hitler, Trump e Erdogan fazem parte da estirpe do Ubu. Bolsonaro consegue ser mais surpreendente do que todos eles. De mentalmente inimputável a presidente da república, Bolsonaro deu um salto que faz lembrar das pulgas que não tendo tamanho para ir tão longe vão mesmo assim. Como ele conseguiu tal façanha? Sendo empurrado por muitos, pelos poderes coniventes que saqueiam o Brasil, mas não só. Todos reconhecem que ele tem brilho próprio. Bolsonaro conseguiu transformar as dezenas de deputados grotescos em cena na votação de 17 de abril de 2016 em figuras coadjuvantes diante da sua verve. Em 2018 muitos se elegeram com o mesmo método no teatro atual da política, mas nenhum se compara a ele. De Janaina Paschoal a Kim Kataguiri, de João Doria a Wilson Witzel, todos se garantiram na eleição e provaram que não basta fazer uso da tecnologia política do ridículo, é preciso arrasar no papelão. A infâmia só é capital quando ela produz efeito de poder sobre as massas: um efeito estupefaciente, de droga pesada, de hipnose.
Bolsonaro é imbatível na produção desses efeitos, seja com suas frases, seja com suas cenas. Mostrando o Golden Shower, debochando dos coveiros e dos mortos por COVID, se lambuzando com um cachorro-quente ou fazendo propaganda de cloroquina, o que Bolsonaro faz é causar efeitos pelo choque, em intensidades diversas essa é a técnica que ele domina. Seja ameaçando de morte, seja sendo cínico, ele é único no seu papel. E ao que ele deve tamanha habilidade? Ora, ele teve escola e isso é o que mais importa.
Foi em nome de uma escola que Bolsonaro criou sua fama tendo sido em 17 de abril de 2016 o grande orador da turma. Melhor aluno da escola, ele recebeu a faixa presidencial do Ubu rei anterior, na verdade um pouco esmaecido, mas igualmente funesto, Michel Temer. Mas o sucesso pertence a Bolsonaro, que não perdeu de vista o “dia de glória” e, no contexto de uma violência simbólica espetacular, fez o elogio de ninguém menos que “Carlos Alberto Brilhante Ustra”, o famoso torturador da ditadura militar que ele tinha como mestre. Mas ele precisava se superar no parque temático do Congresso Nacional. Não bastava a coleção de asneiras, nem apenas o elogio ao torturador, era preciso adicionar um aspecto ao discurso que faria toda a diferença no inconsciente político do povo. E para isso, ele foi ao ponto ao falar do “terror de Dilma Rousseff” trazendo de volta das catacumbas apodrecidas da história a pedagogia que durante anos tocou o terror no Brasil: a tortura.
Podemos dizer que, nesse dia, Bolsonaro colocou grande parte da nação em uma imensa síndrome de Estocolmo. Se de uma lado, ele escandalizou a muitos que não acreditaram que ele poderia avançar, de outro lado, em sua catarse demoníaca, ele seduziu uma imensa parte da população para o seu lado. Em sua atitude, as bases da psicopedagogia da tortura. Costumamos associar um torturador a um psicopata, a um sádico, o que não deixa de ser, mas ela é uma técnica organizada pelos Estados e Igrejas, da Europa aos Estados Unidos e aplicada em todo mundo há séculos por instituições do poder. Ora, uma dimensão, talvez a mais fundamental da tortura, é justamente o seu caráter psicológico. Daí que se possa falar de psico-pedagogia da tortura como uma técnica de psico poder. A tortura sempre mexe com o medo das pessoas. E, mais além, com o pavor e angústia políticas que precisam ser elaboradas e que no Brasil jamais foram.
Quem ouviu Bolsonaro naquele dia 17 de abril ficou estupefato. Grande parte da população se deixou tocar pelo “pavor” do qual Dilma Rousseff estava sendo cobaia mais uma vez. Aí é que surgiu o que define a “síndrome de Estocolmo”, o estado psicológico que envolve algozes e vítimas por um elo complexo no qual a vítima se identifica com o agressor. Porém, ela não se identifica por empatia, mas muito mais por medo. Colocando-se ao lado do agressor, defendendo-o, o sujeito exorciza o medo de ser maltratado por ele. O operador da síndrome é o medo que, manipulado, faz o indivíduo ceder. Por isso, podemos dizer que Bolsonaro naquele dia 17 de abril, num gesto de perversão radical, colocou o Brasil no pau-de-arara, na cadeira do dragão, sob choque elétrico, em estado de pavor e devendo confessar alguma coisa, mesmo que ela não fosse verdade. A confissão chegou nas urnas dois anos depois como um diploma, prova de que a pedagogia deu certo.
Bolsonaro pertence a um escola. A da ditadura, sobre a qual ficamos sabendo nos depoimentos de torturadores e torturados. Quem consegue esquecer dos depoimentos de pessoas contando sobre choques elétricos e toda sorte de horrores vividos em seus corpos? Quem conseguirá esquecer de Lúcia Murat contando sobre a função de baratas amarradas em barbantes passeando sobre seu corpo? E quem conseguirá esquecer dos jacarés sobre o corpo de Dulce Pandolfi servindo de exemplo em uma aula de tortura?
A tortura foi um método de produção de confissão, mas antes de mais nada foi um método para imprimir pavor. Os militares brasileiros eram imediatistas, não estavam interessados em fazer pesquisas como os americanos fizeram com técnicas de tortura com o objetivo da lavagem cerebral. Os americanos sempre exportaram conhecimento para o Brasil, podemos dizer ironicamente. Os militares brasileiros nunca tiveram tanta paciência, sempre puderam contar com a televisão e sua programação torturante (sou da época em que se dizia com desgosto “não tem nada na televisão no domingo” e mesmo assim, as pessoas continuavam assistindo como se estivessem treinando para o desprazer, como se tivessem se tornado capazes de suportar qualquer sofrimento).
O Brasil caiu nas mãos do seu torturador e segue sendo torturado por ele. Todo o deboche, toda a maldade, todo o descaso e, agora o COVID19 fazem parte das técnicas de tortura em escala nacional. Quem precisa buscar jacarés, ratos ou cobras quando se dispõe do coronavírus que não dá muito trabalho e elimina uma parcela gigante da população odiada pelo fascismo nacional?
Muita gente morreu na ditadura sob a ordem de torturadores como Ustra, o herói de Bolsonaro. Muita gente segue morrendo sob a nova tortura elevada a forma de governo.
Bolsonaro é o resultado de uma parte muito séria da história do Brasil que não foi resolvida até agora. Assim como a escravização, a ditadura militar pesa na vida brasileira e muitos se esforçam para não tocar nesse assunto porque ela faz voltar do passado horrores insuportáveis e responsabilidades que uma nação de oligarquias e poderes coniventes não quer assumir.
Essas oligarquias seguem, junto com Bolsonaro, torturando e matando o povo brasileiro.